A dificuldade de utilização das demonstrações contábeis na gestão de micro e pequenas empresas

  • Cláudio de Oliveira Brandão FAIPE
  • Michelle Batista de Oliveira Faculdade FAIPE
  • Antonia Maria Martins Gonçalves Faculdade FAIPE

Resumo

Este artigo faz uma análise sobre a importância da aplicação dos instrumentos da contabilidade gerencial na gestão de empresas, tomando como contexto de pesquisa as micro e pequenas empresas, objetivando identificar dificuldades que limitam a utilização das demonstrações contábeis com instrumento de gestão das empresas. Diante da grande importância para a economia de uma forma geral, as micro e pequenas empresas tem sido objeto de estudo em diversas áreas. Daí a importância de estudar a gestão financeira das mesmas, considerando as demonstrações contábeis.  Apesar de a literatura ressaltar a importância das ferramentas contábeis no auxílio à gestão das empresas, evidencia-se uma pequena utilização destes instrumentos. A falta de conhecimento e a não proximidade entre pequenos/microempresários e os contadores são as principais causas. As discussões realizadas aprofundam discussões sobre a contabilidade gerencial e como esta pode se constituir em uma ferramenta que confere mais possibilidade de competitividade e gestão de recursos financeiros na micro e pequena empresa.

Biografia do Autor

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INTRODUÇÃO

            o presente artigo visa tecer discussões acerca da área empresarial e as dificuldades de utilização dos instrumentos contábeis no processo de gestão. Toma-se como recorte, o caso das pequenas e microempresas, apontando-se as dificuldades de utilização das demonstrações contábeis enquanto instrumentos de gestão.

            De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE (2010), 98% das empresas formais no Brasil são classificadas como micro e pequenas empresas. Dessa maneira, torna-se importante destacar formas de melhoria da gestão dessas empresas, de modo que elas continuem a gerar emprego e renda. Por sua vez, ao serem destacadas as dificuldades sobre a utilização das ferramentas contábeis, pode-se contribuir para o aprofundamento do assunto e superação dessas dificuldades no cenário dessas empresas.

Para Semler (1988) apud (PEREIRA et al., 2009) as pequenas empresas possuem características positivas, como a criatividade e o espirito empreendedor, porém o autor sinaliza dificuldades da pequena empresa em profissionalizar a administração. As dificuldades neste processo de gestão, são consideradas como determinantes para o fechamento prematura das empresas. O autor ainda aponta amadorismo nos que processos que envolvem a tomada de decisão.

            De acordo com as discussões feitas por Marion (2012), os empreendedores estão continuamente tomando decisões. Entre essas decisões, algumas podem assumir um aspecto importantíssimo para a empresa e, portanto, requerem um cuidado maior, uma análise mais profunda sobre os elementos envolvidos, uma vez que uma decisão mal tomada pode prejudicar toda a saúde financeira da empresa, além de comprometer sua própria permanência no mercado.

            A partir desta observação, delimitou-se a questão-problema, para o presente estudo: Quais as dificuldades encontradas pelos pequenos e microempresários na utilização das demonstrações contábeis como instrumento de auxílio na gestão de suas empresas?

 

1 A importância da contabilidade para a gestão empresarial

            A função básica de um contador é produzir informações úteis aos usuários da contabilidade. Os usuários da contabilidade são considerados como qualquer pessoa (física ou

 Jurídica) que tenha interesse em conhecer os dados expressos por meio dos relatórios contábeis. Neste sentido, tais informações são úteis para a tomada de decisões. (MARION, 2012).

De acordo com as argumentações de Passos (2014), as constantes mudanças que vêm acontecendo no cenário empresarial mundial, desafiam cada dia mais as empresas quanto ao posicionamento que assumem no mercado. Segundo esse ponto de vista, terão condições de sobreviver no mercado competitivo, as empresas que usarem todos os veículos possíveis de comunicação para se informar sobre as possíveis mudanças no mercado e, desta forma, poderem se precaver para com estas.

Conforme pode ser percebido por Iudícibus, Martins e Carvalho (2005), quando um administrador toma uma decisão de realizar um determinado investimento, por exemplo, ele determina a saída de recursos da empresa, esperando seu retorno no futuro. Nesse sentido, as ferramentas contábeis podem ser importantes nesta decisão uma vez que informam sobre a retirada de recursos e o impacto sobre a saúde financeira da empresa.

Evidencia-se, portanto, que a contabilidade fornece informações importantes no processo de gestão. Entre tais informações pode-se destacar a necessidade de aperfeiçoamento de novas tecnologias, a globalização dos mercados, a relação custo/benefício de um determinado investimento, a relação entre saídas e entradas de capital na empresa, entre outras informações que podem ser expressas em relatórios e uma vez compreendidas pelo administrador, este pode verificar qual o melhor caminho a seguir (PASSOS, 2014).

Ao analisar as argumentações de Paixão (2010) sobre a utilização da contabilidade como ferramenta de gestão empresarial, observa-se que se trata de uma das áreas mais importantes de uma organização, tendo em vista que dá os devidos apontamentos sobre a saúde financeira de uma empresa.

Assim, na concepção de Passos (2014), a contabilidade que antes era percebida apenas como um sistema de informações tributárias, agora abriga também um caráter gerencial, uma vez que fornece instrumentos que contêm informações financeiras econômicas das entidades e estes, podem ser interpretados e utilizados pelos gestores em seu processo administrativo. Na concepção deste autor, é essencial que os cursos de formação profissional também abriguem essa demanda para a formação do contador, até mesmo porque atualmente existe uma grande carência desse perfil profissional no mercado.

Observa-se que este novo caráter da contabilidade amplia muito a atuação do contador dentro do cenário de uma empresa, uma vez que este profissional deverá não somente preencher formulários e regularizar a situação da empresa junto ao fisco como também confeccionar relatórios que estejam ao alcance do entendimento por parte dos administradores da empresa. Neste sentido, grandes empresas já possuem equipes de contadores gerenciais que atuam realizando esse tipo de serviço (MARION, 2012).

Tomando por base os estudos feitos por Marion (2012) existe hoje uma dificuldade das empresas em contratar profissionais com qualificação para assessoria em contabilidade gerencial. Esse autor destaca que existem hoje, cerca de 450 mil profissionais (incluindo técnicos de contabilidade) e em torno de 70 mil empresas que prestam serviços contábeis.  De acordo com dados desse autor, cada contador tem 50 empresas para prestar serviço, o que demonstra ainda certa carência deste profissional no mercado.

Evidencia-se neste ponto a primeira dificuldade de utilização da contabilidade como instrumento de apoio gerencial, como sendo a falta do profissional qualificado. Dados discutidos por Bueno (2012) mostram que as principais dificuldades dos pequenos e microempresários são a carência de recursos e também a falta de um serviço especializado de contabilidade que possa oferecer relatórios que atendam não somente a questões fiscais, mas que também permitam ao empreendedor verificar as oportunidades do mercado para uma gestão mais eficaz de seus recursos. Os resultados desta situação são empreendedores mal informados sobre as melhores formas de investir.

             A principal preocupação da área de contabilidade gerencial é segundo Amaral (2012), fornecer informações úteis à administração, atendendo às necessidades dos gestores. Para isso, os contadores gerenciais realizam uma interpretação dos resultados levantados na contabilidade financeira da empresa e, a partir dessa análise e interpretação das informações contábeis fornecem ao gestor um conjunto de sugestões que podem ser tomadas no processo decisório da empresa. Mesmo que as sugestões não sejam fornecidas, o próprio gestor ao observar os relatórios confeccionados pelo contador gerencial, poderá ter um pouco mais de segurança e verificar qual é o caminho mais assertivo a ser seguido.

 

 

 

2 AS FERRAMENTAS CONTÁBEIS DE APOIO GERENCIAL

Amaral (2012) ressalta que os administradores estão cada vez mais interessados em informações de cunho evolutivo e financeiros dos negócios de uma empresa. Estes administradores sabem que, em um mercado consumidor concorrente, as empresas necessitam realizar ações e investimentos, contudo estes não podem extrapolar sua saúde financeira é preciso, pois, ter um controle e avaliação dos gastos.

Fedato (2012) destaca que existem diversas ferramentas importantes que podem ser úteis para as empresas, principalmente aquelas de pequeno porte, uma vez que por meio dos relatórios contábeis, é possível que o empreendedor realize certa previsão de seu fluxo de giro de capital, e com isso, defina o quanto poderá investir em seus negócios.

De acordo com as concepções de Passos (2014), as ferramentas contábil-gerenciais podem ser distribuídas em diversos grupos como orçamento, fluxo de caixa, técnica de análise de investimentos, análise das demonstrações contábeis, planejamento tributário, gestão de estoques, controle de contas a pagar, controle de contas a receber, controle de bens do ativo imobilizado, entre outras.

O Quadro 2, traz uma rápida explicação sobre cada uma dessas ferramentas contábeis, de acordo com as explicações feitas por Passos (2014).

Quadro 1: Ferramentas contábil-gerenciais e sua importância

Ferramenta

Importância

Orçamento

Representa a expressão quantitativa dos planos da empresa, elaborados para o futuro.

Fluxo de caixa

Capacidade de pagamentos em determinado período, programação para nova compra, realização de investimentos.

Análise de investimento

Seleção de alternativas de investimento (mão-de-obra qualificada, tecnologia, pesquisa, etc.).

Análise das demonstrações contábeis

Representa interação com a via econômica, financeira e patrimonial da empresa.

Planejamento tributário

Minimiza custos com encargos tributários e impostos

Gestão de estoques

Permite uma previsão sobre o que é necessário comprar e quando será realizado


Controle de contas a pagar

Monitoramento das dívidas a serem quitadas.

Controle de contas a receber

Monitoramento de valores a receber e de clientes inadimplentes.

Controle dos bens do ativo imobilizado

Identificar os bens, a data e o custo de aquisição, acréscimo e baixas a eles referentes.

Fonte: Passos (2014), com adaptações do autor.

 

De acordo com os ensinamentos de Paixão (2010), uma empresa somente terá condições de pagar todos os seus credores, realizar novos negócios, expandir seu produto e dominar novos mercados se sua diretoria tiver em mãos o fluxo de caixa e o capital disponível para o investimento em cada setor. Tais informações somente são possíveis por meio de um controle e gerenciamento da contabilidade na empresa.

            Essa preocupação com o capital da empresa, afeta não somente as decisões da diretoria, como também demais setores da empresa. Assaf Neto e Silva (2012) destacam que as decisões de compra, por exemplo, devem ser tomadas tendo em vista uma determinada quantidade de capital disponível; a área de produção, quando promove alterações nos períodos de fabricação dos produtos também determina alterações nas necessidades de caixa; a área de vendas deve manter controle nos prazos concedidos diante de uma avaliação dos resultados desses prazos sobre o caixa da empresa. Enfim, o que se pode perceber com essas argumentações é o fato de todos os setores de uma empresa necessitarem a todo momento de informações contábeis fidedignas para assegurar seu pleno funcionamento e desenvolvimento de novas ações.

 

2.1 As demonstrações contábeis

Uma análise sobre as demonstrações contábeis tem sido um instrumento muito útil na gestão das organizações. Este fato é importante tendo em vista que, a empresa que conseguir demonstrar sua saúde financeira e crescimento por meio de números, terá maior possibilidade de ganhar novos investimentos tanto por meio de sócios quanto por meio de capitais oriundos de financiamentos bancários (MARION, 2005).

Também de acordo com Marion (2005), as demonstrações contábeis também são importantes para a tomada de decisão por parte da administração da empresa. Demonstrações com Balanço Patrimonial (BP), Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC), Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) e Demonstração de Valor Adicionado (DVA) se configuram como instrumentos por meio dos quais os integrantes da organização, principalmente os administradores, podem avaliar o patrimônio atual, compará-lo ao passado e verificar se tem havido crescimento ou diminuição deste. Essa comparação também possibilita maior segurança no processo de tomada de decisão, identificando que variáveis tem interferido de forma positiva ou negativa para o crescimento ou diminuição do patrimônio da empresa.

O BP é o tipo de demonstração contábil que possui a a relação de todos os bens (ativo), direitos (ativo) e obrigações (passivo) que são inerentes a uma empresa (PADOVEZE e BENEDICTO, 2007). Desta maneira, por meio deste tipo de demonstração, pode-se comparar tudo o que a empresa possui e também tudo o que a empresa deve no mercado, tendo possibilidade de evidenciar um patrimônio líquido.

Para que sejam disponibilizadas essas contas do BP utiliza-se o grau de liquidez para os ativos, que se refere às operações que podem ser realizadas em dinheiro de forma mais rápida. Existem, portanto, dois tipos de ativos; o circulante que são as disponibilidades a serem realizadas até o prazo de 365 dias e as não circulantes que são bens capazes de serem realizados apenas após esse prazo bem como aqueles bens que foram adquiridos pela empresa (PADOVEZE e BENEDICTO, 2007).

Por sua vez, para o cálculo do passivo utiliza-se o grau de exigibilidade, no qual são o circulante é a dívida com prazo de pagamento menor que 365 dias e o passivo não circulantes aquelas com vencimento superior a 365 dias. No grupo passivo também é demonstrado o patrimônio líquido da empresa, onde se encontra seu capital próprio. Tratam-se das reservas de capital, reservas de lucro e os prejuízos acumulados bem como ações da tesouraria (MARION, 2005).  Pode-se dizer que o BP consiste em realizar o retrato de uma empresa em um determinado espaço de tempo, apontando todos os resultados obtidos e, com isso, se as decisões tomadas tiveram impacto positivo ou negativo.

            A DRE trata-se de outro tipo de demonstração contábil que vem para complementar as informações do BP. Essa demonstração permite verificar se as decisões tomadas pela empresa num dado período geraram resultado positivo ou negativo. Esta demonstração evidencia o resultado das operações – lucro ou prejuízo – provocado pela movimentação de valores aplicados no ativo (MARION, 2005).

            A DRE também possibilita visualizar o lucro líquido de um dado período, apontando um resumo de receitas e despesas e mostrando se o resultado é positivo ou negativo. Parte-se da receita bruta e a partir de adições e subtrações chega-se a um resultado líquido (MARION, 2005).

Em outras palavras, a receita bruta refere-se ao valor correspondente que foi comercializado na forma de produtos e serviços e as deduções dessa receita envolvem impostos e não efetivação de vendas/devoluções. A receita líquida é o que realmente fica para a empresa ao final, depois de serem deduzidos todos os custos operacionais para produção da mercadoria ou do serviço prestado. De acordo com Marion (2005) agrupam-se na conta os custos com aquisição de matéria prima, pagamento de funcionários, transporte, seguros e tributos.

A partir do resultado de todas as deduções sobre a receita bruta, o Resultado Líquido do Exercício Ajustado trata-se do montante que deve ser lançado no Patrimônio Líquido (MARION, 2005).

Desta maneira, pode-se dizer que o BP e a DRE são os primeiros tipos de demonstrações contábeis que devem ser analisados uma vez que oferecem de forma bem clara sobre os resultados da atuação de uma empresa num determinado espaço de tempo. Além de oferecer um conhecimento sobre quanto a empresa tem investido em sua atividade e a evolução destas aplicações.

A DFC é um tipo de demonstração contábil que evidencia mais especificamente os movimentos de entrada e saída de caixa também tomando como referência um determinado período de tempo. Ao observar a quantidade de capital que entra e sai do caixa da empresa, a administração poderá elaborar melhor um planejamento financeiro, observando os recursos que estarão disponíveis em cada período (curto prazo).  (MABONI, 2009)

Ao que se pode observar, por meio da DFC pode-se prever com maior segurança sobre as possibilidades de investimento, também podem ser percebidos aspectos que influenciam na situação financeira da empresa gerando aumento de entradas ou aumento de saídas em um determinado momento.  A DFC pode ser usada como instrumento de verificação da situação financeira da empresa, presente e futura e, pode-se ainda, através dele analisar e controlar, ao longo do tempo, o impacto das decisões que venham a causar algum efeito sobre o capital da empresa. (MARION, 2005)

O conhecimento do fluxo de caixa envolve conhecer sobre a natureza de determinadas transações que podem afetar ou não o caixa da empresa. Essas transações são explicadas por Maboni (2009) de modo que possam contribuir para seu aumento quanto para sua diminuição.

 

As transações que afetam o caixa são integralização do capital pelos sócios ou acionistas, são os investimentos em espécie realizados pelos proprietários; empréstimos bancários e financiamentos, que são os recursos financeiros oriundos das instituições financeiras; venda de itens do ativo permanente; vendas a vista e recebimentos de duplicatas a receber; outras entradas, como juros recebidos, dividendos recebidos de outras empresas, indenizações de seguros recebidas etc. (MABONI, 2009, p. 34)

 

Dando continuidade às discussões, é preciso ressaltar que nem todas as operações que afetam o fluxo de caixa, tornam-no positivo, também existem aspectos que fazem deduções do fluxo, conforme especificado a seguir.

A diminuição do caixa é influenciada por: pagamentos de dividendos aos sócios; pagamentos de juros; aquisição de itens do ativo permanente; compras a vista e pagamentos de fornecedores; pagamentos de despesa/custo contas a pagar e outros. (MABONI, 2009, p. 34)

 

            Há que se considerar que a observação das transações positivas e negativas sobre o caixa mostram sobre o impacto que determinadas decisões tem sobre o financeiro da empresa. Contudo, não são somente transações que afetam diretamente o caixa que devem ser considerados na DFC. Outras modalidades de transações são aquelas que não afetam o caixa como depreciação, amortização e exaustão, são reduções de ativo, sem afetar o caixa; aumento ou diminuição de itens de investimentos pelo método de equivalência patrimonial (NEVES, 2007).

            O reconhecimento das transações, possibilita a montagem confeccionar o fluxo que envolve as atividades operacionais, atividades de investimento e atividades de financiamento. Por meio da análise da DFC pode ser feita uma reconciliação do rendimento líquido para o caixa líquido (MARION, 2005)

            Com base na análise das informações da DMPL, o administrador tem condições de evidenciar modificações sofridas no exercício das contas. Essa demonstração é aquela que contém a movimentação ocorrida em um determinado período em diversas contas que compõem o patrimônio líquido da empresa. Essas contas são o capital social, as reservas de capital, as reservas de lucros e ajustes na avaliação patrimonial, além de ações da tesouraria e prejuízos acumulados (MARION, 2005).

            Por meio da análise da DMPL o administrador tem condições de verificar os deslocamentos de uma conta para outra, verificando a origem de acréscimos ou deduções ao Patrimônio Líquido da empresa. Ela trata-se de uma demonstração que permite maior clareza sobre o patrimônio líquido da empresa, verificando se tem acontecido prejuízo ou lucro sobre este.  (MABONI, 2009)

            Para uma efetiva DMPL é necessário que ela contenha o saldo inicial do exercício, ajustes que tenham acontecido, correção monetária, reservas que foram revertidas, lucro líquido e destino dado ao resultado. Desta maneira, ao final da análise pode ser observado o que foi

transferido para reservas, o que foi distribuído aos dividendos e o que se incorporou ao capital, evidenciando o saldo final (SÁ, 2008).

A DVA trata-se de uma demonstração que representa a riqueza criada por uma entidade num determinado período de tempo, bem como sua efetiva distribuição. (NEVES, 2007)

Segundo Marion (2005), a DVA mostra o quanto de valor a empresa adiciona aos insumos adquiridos por ela e sua distribuição aos elementos que contribuíram para esta adição. Ela permite, portanto que se compreenda quanto de valor a empresa tem adicionado às mercadorias que adquire e como esses valores são distribuídos dentro da empresa. Por meio da DVA se obtém a parte de valor é que destinada aos sócios e as que serão destinadas ao financiamento da empresa, a parte que fica com os empregados e a que é convertida ao governo pelos impostos.

 

3 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO E TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO

            No processo de planejamento da gestão de uma empresa, a informação deve ser tratada como qualquer outro produto que esteja disponível para o consumo. Ela deve ser desejada, para ser necessária. Por sua vez, para que uma informação seja necessária ela deve passar pelo critério da utilidade. É dever dos contadores gerenciais construir a informação com qualidade e, portanto, definir sua extrema importância para o gerenciamento dos negócios (PADOVEZE, 2010).

            Ao discutir sobre o tratamento dos dados contábeis, Passos (2010) destaca que as informações contábeis se tratam de matérias-primas para as informações gerenciais. Na perspectiva apontada por essa autora, sem um profissional especializado para a realização da análise dessas informações elas não poderão ser utilizadas pelos administradores em prol de uma administração eficaz.

            Desta maneira, Passos (2010) dá continuidade às suas discussões sobre o assunto afirmando que uma vez tratados pelos contadores gerenciais, os dados contábeis podem se converter em instrumentos úteis para melhorar a qualidade das operações e reduzir custos operacionais, aumentando a adequação das operações às necessidades dos clientes.

            Ao abordar sobre o contexto das pequenas e microempresas, Maboni (2009) ressalta que nesta ainda pode-se notar uma visão tradicionalista por parte do empreendedor sobre o papel desenvolvido pelo contador. Perpetua a visão do contador como um profissional voltado apenas para a prestação de serviços para fins tributários que a estes empreendedores somente demonstrativos contábeis básicos e com função fiscal.

            Passos (2010) ainda ressalta que a empresa deverá estar integrada em todos os seus departamentos a fim de que as informações vindas da contabilidade possam fluir em prol da qualidade de seus processos internos. Essa característica da empresa também é importante para que chegue até a contabilidade informações precisas e também de forma rápida.

            Um problema que atinge comumente os micro e pequenos empresários é a dificuldade de arcar com os custos da contabilidade. Enquanto grandes empresas possuem um departamento contábil próprio, as pequenas e microempresas contratam escritórios para realizarem os serviços relativos ao fisco, porém pecam em não utilizar o serviço de contabilidade gerencial, por considerá-lo desnecessário. (MABONI, 2009)

            Assim, a chave da questão, de acordo com o que ensina Passos (2010) consiste em existir um gerenciamento eficaz da informação. Essa autora destaca que, para tanto, é necessário tanto contar com contadores gerenciais qualificados para a área quanto de treinamento dos administradores na gestão da informação. Essa estratégia permite um suporte adequado na gestão da informação dentro da empresa.

            Normalmente o processo de planejamento visa considerar vários custos alternativos de ação e decidir, qual é o melhor. Planejamento, que deve ser diferenciado de previsão, pode abranger um só segmento da empresa, como a empresa como um todo. Para isso, utiliza-se grande número de informações contábeis. (MÜLLER e OLIVEIRA, 2012)

            A contabilidade gerencial está sofrendo mudanças importantes para refletir o novo ambiente desafiador que as empresas enfrentam. Informações precisas, oportunas e pertinentes sobre a economia e o desempenho das empresas são cruciais para o sucesso organizacionais. Crepaldi (2008) destaca que para implementar um sistema de informações gerenciais adequado devem ser considerados os seguintes pontos:

- As informações sobre o controle econômico e financeiro das empresas devem ser relacionadas;

- O administrador deve considerar se é mais compensativo comprar pronto ou desenvolver o próprio sistema de informações gerenciais;

- Devem ser avaliados quais são os requisitos necessários para implantar um sistema de informações contábeis.

            De acordo com Passos (2010), o sistema de informação na empresa deve se ajustar às suas necessidades. Os gestores necessitam de informações adequadas e adequadas ao seu

               Processo decisório e, para tanto, também devem fornecer dados precisos aos seus contadores. Essa autora, elabora um fluxograma para o processo de retroalimentação e gerenciamento da informação contábil no contexto das empresas.

            Passos (2010) compreende que os dados são as entradas que ocorrem no sistema de informações. Esse sistema de informações é administrado pelo contador gerencial que processa os dados e os converte em informações adequadas para o contexto da empresa. A atuação do administrador acontece em dois pontos principais: antes do sistema de informações, fornecendo dados precisos e de forma rápida. Posteriormente ao sistema utilizando a informações geradas na tomada decisões e estas, irão retroalimentar todo o processo gerando novos dados, fazendo parte, portanto, de um ciclo.

            Padoveze (2010, p. 34) argumenta que para que a informação contábil seja usada no processo de administração, “é necessário que essa informação seja desejável e útil para as pessoas responsáveis pela administração da entidade”. Para os administradores que buscam a excelência empresarial a informação somente pode ser útil se for conseguida no momento adequado.

            Padoveze (2010) ao discutir sobre a contabilidade gerencial, afirma que o estágio atual desse ramo da Contabilidade está voltado principalmente em atividade e sistemas de informações de monitoramento da estratégia. De acordo com este aspecto, são incorporados como funções da contabilidade gerencial as atividades de disponibilização e controle de sistemas de informação visando oferecer uma análise do ambiente empresarial tanto interno quanto externo, identificando as oportunidades e também as ameaças a respeito dos pontos fortes e fracos da empresa.

 

A contabilidade gerencial está relacionada com o fornecimento de informações para os administradores – isto é, aqueles que estão dentro da organização e são responsáveis pela direção e controle de suas operações. A contabilidade gerencial pode ser contrastada com a contabilidade financeira, que é relacionada com o fornecimento de informações para os acionistas, credores e outros que estão fora da organização (PAVONEZE, 2010, p. 38)

 

            Pavoneze (2010) ainda discute que uma organização está estruturada de forma hierárquica e, nesse sentido, a contabilidade gerencial através de seu sistema de informação contábil envolve todos os setores de uma empresa. Isso acontece porque cada nível de administração dentro da empresa utiliza a informação contábil para um determinado fim,

            Agregando essa informação, o setor ou nível terá condições de melhor se ajustar às metas da empresa. Assim o objetivo não é apenas disponibilizar a informação, mas também que esta informação seja trabalhada de forma específica para cada segmento hierárquico da empresa.

 

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar da importância das ferramentas contábeis para o processo gerencial de micro e pequenas empresas, as análises realizadas referentes à pesquisa bibliográfica, demonstram que estas ainda se fazem distantes do cenário administrativo das empresas desse porte.

Ao se descrever sobre os benefícios das informações contábeis para o processo gerencial das empresas, o que se pode dizer é que tais informações proporcionam ao empreendedor ter acesso à situação real da empresa, verificar que tipos de movimentações financeiras tem dado maior retorno e quais aquelas que precisam ser evitadas devido a possibilidades de prejuízo. Desta maneira, a importância das informações contábeis reside no fato de que proporcionam um eixo direcionador para a tomada de decisão dentro da empresa.

            Como consequência, essa falta de informação dos pequenos e microempreendedores possibilita uma desvantagem destes no mercado e, dentre outros fatores é responsável pela não sobrevivência destas empresas em um mercado cada vez mais competitivo, sendo estas uma das principais consequências do afastamento entre a função gerencial da contabilidade e os empreendedores. Cabe ressaltar que a maior utilização das ferramentas contábeis na gestão dessas empresas é uma forma de torná-las mais fortes e competitivas no mercado.

            Sobre o problema inicialmente levantado, pode-se dizer que a pesquisa evidenciou respostas sendo que a dificuldade encontrada pelos contadores em auxiliar os pequenos empreendedores na tomada de decisão refere-se tanto a questões próprias dos empreendedores, como desorganização e falta de conhecimento. Como também ausência de profissionais na área de Ciências Contábeis que prestem um serviço de apoio gerencial.

            Destaca-se como sugestão para os estudos futuros que sejam pesquisadas as concepções de contabilidade gerencial segundo a perspectiva dos pequenos e microempreendedores apontando também suas dificuldades e necessidades, a fim de buscar uma ampliação ainda maior sobre esse assunto com base na pesquisa de campo.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

AMARAL, J. L. A contabilidade como ferramenta indispensável para a gestão empresarial. 2012. Disponível em: http://www.administradores.com.br/artigos/ marketing/a-contabilidade-como-ferramenta-indispensavel-a-gestao-empresarial/ 64302/. Acesso em 15 abr. 2018.

ASSAF NETO, A.; SILVA, C. A. T. Administração do capital de giro. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2012.

BUENO, Jordana de Freitas. Contabilidade para executivos: a importância da análise contábil na toma de decisão financeira das empresas. In: ALMEIDA, Gustavo Tomaz de et al. Estudos Científicos FANS 2012: um incentivo à pesquisa discente e docente. Nova Serrana: Fundação Educacional Fausto Pinto da Fonseca, 2012. p. 8-692. Disponível em: <http://www.fans.edu.br/painel_dad>. Acesso em: 27 mar. 2018.

BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Dados sobre municípios brasileiros – Economia. 2010. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/cidades. Acesso em 6 abr. 2018.

CREPALDI, S. A. Contabilidade Gerencial. 4. Ed. São Paulo: Atlas, 2008.

FEDATO, Geovana Alves de Lima; GOULART, Claiton Pazzini; OLIVEIRA, Lyss Paula de. Contabilidade para pequenas empresas: A Utilização da Contabilidade como Instrumento de Auxílio às Micro e Pequenas Empresas. 2012. Disponível em: <http://www.contabilidadeamazonia.com.br/artigos/artigo_13contabilidade_para_pequenas_empresas.pdf>. Acesso em: 27 mar. 2018.

 

 

IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; CARVALHO Nelson. Contabilidade: aspectos relevantes da epopeia de sua evolução. Revista Contabilidade e Finanças. v.16, n. 38,  São Paulo Mai/Ago. 2005

 

 

MABONI, F. S. S. Contabilidade gerencial, o uso da informação gerencial em uma pequena empresa. Pato Branco: UTFP, 2009.

 

 

MARION, José Carlos. Análise das Demonstrações Contábeis: Contabilidade Empresarial. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2005.

 

MARION, José Carlos. Contabilidade Empresarial. São Paulo: Atlas, 2012.

 

NEVES, Silvério das. Contabilidade Avançada e Análise das Demonstrações Financeiras. 15 ed. Revisada e atualizada. São Paulo: Frase Editora, 2007.

 

PADOVEZE, Clóvis Luiz; BENEDICTO, Gideon Carvalho. Análise das demonstrações financeiras. 2 ed. Revista e ampliada. São Paulo: Thomson Learning, 2007.

 

PAIXÃO, E. P. A utilização da contabilidade na gestão empresarial e sua importância como ferramenta de decisão. 2010. Disponível em: http://www.avm.edu.br/docpdf/ monografias publicadas/t206115.pdf. Acesso em 17 abr. 2018.

 

PASSOS, Q. C. A importância da contabilidade no processo de tomada de decisão nas empresas. 2014. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/ 10183/25741/000751647.pdf. Acesso em 15 abr. 2018

 

PEREIRA, M. F.; GRAPEGGIA, M; EMMENDOERFER; M. L. TRÊS, D. L. Fatores de inovação para a sobrevivência das micro e pequenas empresas no Brasil. RAI - Revista de Administração e Inovação, São Paulo, v. 6, n. 1, p. 50-65, 2009. Disponível em < https://www.revistas.usp.br/rai/article/view/79129/83201). Acesso em: 20 de abril de 2018.

 

SÁ, Antonio Lopes. Moderna Analise de Balanços ao Alcance de todos. 2ª edição – Revista e Atualizada. Curitiba: Editora Juruá. 2008.

 

 

 

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INTRODUÇÃO

            o presente artigo visa tecer discussões acerca da área empresarial e as dificuldades de utilização dos instrumentos contábeis no processo de gestão. Toma-se como recorte, o caso das pequenas e microempresas, apontando-se as dificuldades de utilização das demonstrações contábeis enquanto instrumentos de gestão.

            De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE (2010), 98% das empresas formais no Brasil são classificadas como micro e pequenas empresas. Dessa maneira, torna-se importante destacar formas de melhoria da gestão dessas empresas, de modo que elas continuem a gerar emprego e renda. Por sua vez, ao serem destacadas as dificuldades sobre a utilização das ferramentas contábeis, pode-se contribuir para o aprofundamento do assunto e superação dessas dificuldades no cenário dessas empresas.

Para Semler (1988) apud (PEREIRA et al., 2009) as pequenas empresas possuem características positivas, como a criatividade e o espirito empreendedor, porém o autor sinaliza dificuldades da pequena empresa em profissionalizar a administração. As dificuldades neste processo de gestão, são consideradas como determinantes para o fechamento prematura das empresas. O autor ainda aponta amadorismo nos que processos que envolvem a tomada de decisão.

            De acordo com as discussões feitas por Marion (2012), os empreendedores estão continuamente tomando decisões. Entre essas decisões, algumas podem assumir um aspecto importantíssimo para a empresa e, portanto, requerem um cuidado maior, uma análise mais profunda sobre os elementos envolvidos, uma vez que uma decisão mal tomada pode prejudicar toda a saúde financeira da empresa, além de comprometer sua própria permanência no mercado.

            A partir desta observação, delimitou-se a questão-problema, para o presente estudo: Quais as dificuldades encontradas pelos pequenos e microempresários na utilização das demonstrações contábeis como instrumento de auxílio na gestão de suas empresas?

 

1 A importância da contabilidade para a gestão empresarial

            A função básica de um contador é produzir informações úteis aos usuários da contabilidade. Os usuários da contabilidade são considerados como qualquer pessoa (física ou

 Jurídica) que tenha interesse em conhecer os dados expressos por meio dos relatórios contábeis. Neste sentido, tais informações são úteis para a tomada de decisões. (MARION, 2012).

De acordo com as argumentações de Passos (2014), as constantes mudanças que vêm acontecendo no cenário empresarial mundial, desafiam cada dia mais as empresas quanto ao posicionamento que assumem no mercado. Segundo esse ponto de vista, terão condições de sobreviver no mercado competitivo, as empresas que usarem todos os veículos possíveis de comunicação para se informar sobre as possíveis mudanças no mercado e, desta forma, poderem se precaver para com estas.

Conforme pode ser percebido por Iudícibus, Martins e Carvalho (2005), quando um administrador toma uma decisão de realizar um determinado investimento, por exemplo, ele determina a saída de recursos da empresa, esperando seu retorno no futuro. Nesse sentido, as ferramentas contábeis podem ser importantes nesta decisão uma vez que informam sobre a retirada de recursos e o impacto sobre a saúde financeira da empresa.

Evidencia-se, portanto, que a contabilidade fornece informações importantes no processo de gestão. Entre tais informações pode-se destacar a necessidade de aperfeiçoamento de novas tecnologias, a globalização dos mercados, a relação custo/benefício de um determinado investimento, a relação entre saídas e entradas de capital na empresa, entre outras informações que podem ser expressas em relatórios e uma vez compreendidas pelo administrador, este pode verificar qual o melhor caminho a seguir (PASSOS, 2014).

Ao analisar as argumentações de Paixão (2010) sobre a utilização da contabilidade como ferramenta de gestão empresarial, observa-se que se trata de uma das áreas mais importantes de uma organização, tendo em vista que dá os devidos apontamentos sobre a saúde financeira de uma empresa.

Assim, na concepção de Passos (2014), a contabilidade que antes era percebida apenas como um sistema de informações tributárias, agora abriga também um caráter gerencial, uma vez que fornece instrumentos que contêm informações financeiras econômicas das entidades e estes, podem ser interpretados e utilizados pelos gestores em seu processo administrativo. Na concepção deste autor, é essencial que os cursos de formação profissional também abriguem essa demanda para a formação do contador, até mesmo porque atualmente existe uma grande carência desse perfil profissional no mercado.

Observa-se que este novo caráter da contabilidade amplia muito a atuação do contador dentro do cenário de uma empresa, uma vez que este profissional deverá não somente preencher formulários e regularizar a situação da empresa junto ao fisco como também confeccionar relatórios que estejam ao alcance do entendimento por parte dos administradores da empresa. Neste sentido, grandes empresas já possuem equipes de contadores gerenciais que atuam realizando esse tipo de serviço (MARION, 2012).

Tomando por base os estudos feitos por Marion (2012) existe hoje uma dificuldade das empresas em contratar profissionais com qualificação para assessoria em contabilidade gerencial. Esse autor destaca que existem hoje, cerca de 450 mil profissionais (incluindo técnicos de contabilidade) e em torno de 70 mil empresas que prestam serviços contábeis.  De acordo com dados desse autor, cada contador tem 50 empresas para prestar serviço, o que demonstra ainda certa carência deste profissional no mercado.

Evidencia-se neste ponto a primeira dificuldade de utilização da contabilidade como instrumento de apoio gerencial, como sendo a falta do profissional qualificado. Dados discutidos por Bueno (2012) mostram que as principais dificuldades dos pequenos e microempresários são a carência de recursos e também a falta de um serviço especializado de contabilidade que possa oferecer relatórios que atendam não somente a questões fiscais, mas que também permitam ao empreendedor verificar as oportunidades do mercado para uma gestão mais eficaz de seus recursos. Os resultados desta situação são empreendedores mal informados sobre as melhores formas de investir.

             A principal preocupação da área de contabilidade gerencial é segundo Amaral (2012), fornecer informações úteis à administração, atendendo às necessidades dos gestores. Para isso, os contadores gerenciais realizam uma interpretação dos resultados levantados na contabilidade financeira da empresa e, a partir dessa análise e interpretação das informações contábeis fornecem ao gestor um conjunto de sugestões que podem ser tomadas no processo decisório da empresa. Mesmo que as sugestões não sejam fornecidas, o próprio gestor ao observar os relatórios confeccionados pelo contador gerencial, poderá ter um pouco mais de segurança e verificar qual é o caminho mais assertivo a ser seguido.

 

 

 

2 AS FERRAMENTAS CONTÁBEIS DE APOIO GERENCIAL

Amaral (2012) ressalta que os administradores estão cada vez mais interessados em informações de cunho evolutivo e financeiros dos negócios de uma empresa. Estes administradores sabem que, em um mercado consumidor concorrente, as empresas necessitam realizar ações e investimentos, contudo estes não podem extrapolar sua saúde financeira é preciso, pois, ter um controle e avaliação dos gastos.

Fedato (2012) destaca que existem diversas ferramentas importantes que podem ser úteis para as empresas, principalmente aquelas de pequeno porte, uma vez que por meio dos relatórios contábeis, é possível que o empreendedor realize certa previsão de seu fluxo de giro de capital, e com isso, defina o quanto poderá investir em seus negócios.

De acordo com as concepções de Passos (2014), as ferramentas contábil-gerenciais podem ser distribuídas em diversos grupos como orçamento, fluxo de caixa, técnica de análise de investimentos, análise das demonstrações contábeis, planejamento tributário, gestão de estoques, controle de contas a pagar, controle de contas a receber, controle de bens do ativo imobilizado, entre outras.

O Quadro 2, traz uma rápida explicação sobre cada uma dessas ferramentas contábeis, de acordo com as explicações feitas por Passos (2014).

Quadro 1: Ferramentas contábil-gerenciais e sua importância

Ferramenta

Importância

Orçamento

Representa a expressão quantitativa dos planos da empresa, elaborados para o futuro.

Fluxo de caixa

Capacidade de pagamentos em determinado período, programação para nova compra, realização de investimentos.

Análise de investimento

Seleção de alternativas de investimento (mão-de-obra qualificada, tecnologia, pesquisa, etc.).

Análise das demonstrações contábeis

Representa interação com a via econômica, financeira e patrimonial da empresa.

Planejamento tributário

Minimiza custos com encargos tributários e impostos

Gestão de estoques

Permite uma previsão sobre o que é necessário comprar e quando será realizado


Controle de contas a pagar

Monitoramento das dívidas a serem quitadas.

Controle de contas a receber

Monitoramento de valores a receber e de clientes inadimplentes.

Controle dos bens do ativo imobilizado

Identificar os bens, a data e o custo de aquisição, acréscimo e baixas a eles referentes.

Fonte: Passos (2014), com adaptações do autor.

 

De acordo com os ensinamentos de Paixão (2010), uma empresa somente terá condições de pagar todos os seus credores, realizar novos negócios, expandir seu produto e dominar novos mercados se sua diretoria tiver em mãos o fluxo de caixa e o capital disponível para o investimento em cada setor. Tais informações somente são possíveis por meio de um controle e gerenciamento da contabilidade na empresa.

            Essa preocupação com o capital da empresa, afeta não somente as decisões da diretoria, como também demais setores da empresa. Assaf Neto e Silva (2012) destacam que as decisões de compra, por exemplo, devem ser tomadas tendo em vista uma determinada quantidade de capital disponível; a área de produção, quando promove alterações nos períodos de fabricação dos produtos também determina alterações nas necessidades de caixa; a área de vendas deve manter controle nos prazos concedidos diante de uma avaliação dos resultados desses prazos sobre o caixa da empresa. Enfim, o que se pode perceber com essas argumentações é o fato de todos os setores de uma empresa necessitarem a todo momento de informações contábeis fidedignas para assegurar seu pleno funcionamento e desenvolvimento de novas ações.

 

2.1 As demonstrações contábeis

Uma análise sobre as demonstrações contábeis tem sido um instrumento muito útil na gestão das organizações. Este fato é importante tendo em vista que, a empresa que conseguir demonstrar sua saúde financeira e crescimento por meio de números, terá maior possibilidade de ganhar novos investimentos tanto por meio de sócios quanto por meio de capitais oriundos de financiamentos bancários (MARION, 2005).

Também de acordo com Marion (2005), as demonstrações contábeis também são importantes para a tomada de decisão por parte da administração da empresa. Demonstrações com Balanço Patrimonial (BP), Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC), Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) e Demonstração de Valor Adicionado (DVA) se configuram como instrumentos por meio dos quais os integrantes da organização, principalmente os administradores, podem avaliar o patrimônio atual, compará-lo ao passado e verificar se tem havido crescimento ou diminuição deste. Essa comparação também possibilita maior segurança no processo de tomada de decisão, identificando que variáveis tem interferido de forma positiva ou negativa para o crescimento ou diminuição do patrimônio da empresa.

O BP é o tipo de demonstração contábil que possui a a relação de todos os bens (ativo), direitos (ativo) e obrigações (passivo) que são inerentes a uma empresa (PADOVEZE e BENEDICTO, 2007). Desta maneira, por meio deste tipo de demonstração, pode-se comparar tudo o que a empresa possui e também tudo o que a empresa deve no mercado, tendo possibilidade de evidenciar um patrimônio líquido.

Para que sejam disponibilizadas essas contas do BP utiliza-se o grau de liquidez para os ativos, que se refere às operações que podem ser realizadas em dinheiro de forma mais rápida. Existem, portanto, dois tipos de ativos; o circulante que são as disponibilidades a serem realizadas até o prazo de 365 dias e as não circulantes que são bens capazes de serem realizados apenas após esse prazo bem como aqueles bens que foram adquiridos pela empresa (PADOVEZE e BENEDICTO, 2007).

Por sua vez, para o cálculo do passivo utiliza-se o grau de exigibilidade, no qual são o circulante é a dívida com prazo de pagamento menor que 365 dias e o passivo não circulantes aquelas com vencimento superior a 365 dias. No grupo passivo também é demonstrado o patrimônio líquido da empresa, onde se encontra seu capital próprio. Tratam-se das reservas de capital, reservas de lucro e os prejuízos acumulados bem como ações da tesouraria (MARION, 2005).  Pode-se dizer que o BP consiste em realizar o retrato de uma empresa em um determinado espaço de tempo, apontando todos os resultados obtidos e, com isso, se as decisões tomadas tiveram impacto positivo ou negativo.

            A DRE trata-se de outro tipo de demonstração contábil que vem para complementar as informações do BP. Essa demonstração permite verificar se as decisões tomadas pela empresa num dado período geraram resultado positivo ou negativo. Esta demonstração evidencia o resultado das operações – lucro ou prejuízo – provocado pela movimentação de valores aplicados no ativo (MARION, 2005).

            A DRE também possibilita visualizar o lucro líquido de um dado período, apontando um resumo de receitas e despesas e mostrando se o resultado é positivo ou negativo. Parte-se da receita bruta e a partir de adições e subtrações chega-se a um resultado líquido (MARION, 2005).

Em outras palavras, a receita bruta refere-se ao valor correspondente que foi comercializado na forma de produtos e serviços e as deduções dessa receita envolvem impostos e não efetivação de vendas/devoluções. A receita líquida é o que realmente fica para a empresa ao final, depois de serem deduzidos todos os custos operacionais para produção da mercadoria ou do serviço prestado. De acordo com Marion (2005) agrupam-se na conta os custos com aquisição de matéria prima, pagamento de funcionários, transporte, seguros e tributos.

A partir do resultado de todas as deduções sobre a receita bruta, o Resultado Líquido do Exercício Ajustado trata-se do montante que deve ser lançado no Patrimônio Líquido (MARION, 2005).

Desta maneira, pode-se dizer que o BP e a DRE são os primeiros tipos de demonstrações contábeis que devem ser analisados uma vez que oferecem de forma bem clara sobre os resultados da atuação de uma empresa num determinado espaço de tempo. Além de oferecer um conhecimento sobre quanto a empresa tem investido em sua atividade e a evolução destas aplicações.

A DFC é um tipo de demonstração contábil que evidencia mais especificamente os movimentos de entrada e saída de caixa também tomando como referência um determinado período de tempo. Ao observar a quantidade de capital que entra e sai do caixa da empresa, a administração poderá elaborar melhor um planejamento financeiro, observando os recursos que estarão disponíveis em cada período (curto prazo).  (MABONI, 2009)

Ao que se pode observar, por meio da DFC pode-se prever com maior segurança sobre as possibilidades de investimento, também podem ser percebidos aspectos que influenciam na situação financeira da empresa gerando aumento de entradas ou aumento de saídas em um determinado momento.  A DFC pode ser usada como instrumento de verificação da situação financeira da empresa, presente e futura e, pode-se ainda, através dele analisar e controlar, ao longo do tempo, o impacto das decisões que venham a causar algum efeito sobre o capital da empresa. (MARION, 2005)

O conhecimento do fluxo de caixa envolve conhecer sobre a natureza de determinadas transações que podem afetar ou não o caixa da empresa. Essas transações são explicadas por Maboni (2009) de modo que possam contribuir para seu aumento quanto para sua diminuição.

 

As transações que afetam o caixa são integralização do capital pelos sócios ou acionistas, são os investimentos em espécie realizados pelos proprietários; empréstimos bancários e financiamentos, que são os recursos financeiros oriundos das instituições financeiras; venda de itens do ativo permanente; vendas a vista e recebimentos de duplicatas a receber; outras entradas, como juros recebidos, dividendos recebidos de outras empresas, indenizações de seguros recebidas etc. (MABONI, 2009, p. 34)

 

Dando continuidade às discussões, é preciso ressaltar que nem todas as operações que afetam o fluxo de caixa, tornam-no positivo, também existem aspectos que fazem deduções do fluxo, conforme especificado a seguir.

A diminuição do caixa é influenciada por: pagamentos de dividendos aos sócios; pagamentos de juros; aquisição de itens do ativo permanente; compras a vista e pagamentos de fornecedores; pagamentos de despesa/custo contas a pagar e outros. (MABONI, 2009, p. 34)

 

            Há que se considerar que a observação das transações positivas e negativas sobre o caixa mostram sobre o impacto que determinadas decisões tem sobre o financeiro da empresa. Contudo, não são somente transações que afetam diretamente o caixa que devem ser considerados na DFC. Outras modalidades de transações são aquelas que não afetam o caixa como depreciação, amortização e exaustão, são reduções de ativo, sem afetar o caixa; aumento ou diminuição de itens de investimentos pelo método de equivalência patrimonial (NEVES, 2007).

            O reconhecimento das transações, possibilita a montagem confeccionar o fluxo que envolve as atividades operacionais, atividades de investimento e atividades de financiamento. Por meio da análise da DFC pode ser feita uma reconciliação do rendimento líquido para o caixa líquido (MARION, 2005)

            Com base na análise das informações da DMPL, o administrador tem condições de evidenciar modificações sofridas no exercício das contas. Essa demonstração é aquela que contém a movimentação ocorrida em um determinado período em diversas contas que compõem o patrimônio líquido da empresa. Essas contas são o capital social, as reservas de capital, as reservas de lucros e ajustes na avaliação patrimonial, além de ações da tesouraria e prejuízos acumulados (MARION, 2005).

            Por meio da análise da DMPL o administrador tem condições de verificar os deslocamentos de uma conta para outra, verificando a origem de acréscimos ou deduções ao Patrimônio Líquido da empresa. Ela trata-se de uma demonstração que permite maior clareza sobre o patrimônio líquido da empresa, verificando se tem acontecido prejuízo ou lucro sobre este.  (MABONI, 2009)

            Para uma efetiva DMPL é necessário que ela contenha o saldo inicial do exercício, ajustes que tenham acontecido, correção monetária, reservas que foram revertidas, lucro líquido e destino dado ao resultado. Desta maneira, ao final da análise pode ser observado o que foi

transferido para reservas, o que foi distribuído aos dividendos e o que se incorporou ao capital, evidenciando o saldo final (SÁ, 2008).

A DVA trata-se de uma demonstração que representa a riqueza criada por uma entidade num determinado período de tempo, bem como sua efetiva distribuição. (NEVES, 2007)

Segundo Marion (2005), a DVA mostra o quanto de valor a empresa adiciona aos insumos adquiridos por ela e sua distribuição aos elementos que contribuíram para esta adição. Ela permite, portanto que se compreenda quanto de valor a empresa tem adicionado às mercadorias que adquire e como esses valores são distribuídos dentro da empresa. Por meio da DVA se obtém a parte de valor é que destinada aos sócios e as que serão destinadas ao financiamento da empresa, a parte que fica com os empregados e a que é convertida ao governo pelos impostos.

 

3 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO E TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO

            No processo de planejamento da gestão de uma empresa, a informação deve ser tratada como qualquer outro produto que esteja disponível para o consumo. Ela deve ser desejada, para ser necessária. Por sua vez, para que uma informação seja necessária ela deve passar pelo critério da utilidade. É dever dos contadores gerenciais construir a informação com qualidade e, portanto, definir sua extrema importância para o gerenciamento dos negócios (PADOVEZE, 2010).

            Ao discutir sobre o tratamento dos dados contábeis, Passos (2010) destaca que as informações contábeis se tratam de matérias-primas para as informações gerenciais. Na perspectiva apontada por essa autora, sem um profissional especializado para a realização da análise dessas informações elas não poderão ser utilizadas pelos administradores em prol de uma administração eficaz.

            Desta maneira, Passos (2010) dá continuidade às suas discussões sobre o assunto afirmando que uma vez tratados pelos contadores gerenciais, os dados contábeis podem se converter em instrumentos úteis para melhorar a qualidade das operações e reduzir custos operacionais, aumentando a adequação das operações às necessidades dos clientes.

            Ao abordar sobre o contexto das pequenas e microempresas, Maboni (2009) ressalta que nesta ainda pode-se notar uma visão tradicionalista por parte do empreendedor sobre o papel desenvolvido pelo contador. Perpetua a visão do contador como um profissional voltado apenas para a prestação de serviços para fins tributários que a estes empreendedores somente demonstrativos contábeis básicos e com função fiscal.

            Passos (2010) ainda ressalta que a empresa deverá estar integrada em todos os seus departamentos a fim de que as informações vindas da contabilidade possam fluir em prol da qualidade de seus processos internos. Essa característica da empresa também é importante para que chegue até a contabilidade informações precisas e também de forma rápida.

            Um problema que atinge comumente os micro e pequenos empresários é a dificuldade de arcar com os custos da contabilidade. Enquanto grandes empresas possuem um departamento contábil próprio, as pequenas e microempresas contratam escritórios para realizarem os serviços relativos ao fisco, porém pecam em não utilizar o serviço de contabilidade gerencial, por considerá-lo desnecessário. (MABONI, 2009)

            Assim, a chave da questão, de acordo com o que ensina Passos (2010) consiste em existir um gerenciamento eficaz da informação. Essa autora destaca que, para tanto, é necessário tanto contar com contadores gerenciais qualificados para a área quanto de treinamento dos administradores na gestão da informação. Essa estratégia permite um suporte adequado na gestão da informação dentro da empresa.

            Normalmente o processo de planejamento visa considerar vários custos alternativos de ação e decidir, qual é o melhor. Planejamento, que deve ser diferenciado de previsão, pode abranger um só segmento da empresa, como a empresa como um todo. Para isso, utiliza-se grande número de informações contábeis. (MÜLLER e OLIVEIRA, 2012)

            A contabilidade gerencial está sofrendo mudanças importantes para refletir o novo ambiente desafiador que as empresas enfrentam. Informações precisas, oportunas e pertinentes sobre a economia e o desempenho das empresas são cruciais para o sucesso organizacionais. Crepaldi (2008) destaca que para implementar um sistema de informações gerenciais adequado devem ser considerados os seguintes pontos:

- As informações sobre o controle econômico e financeiro das empresas devem ser relacionadas;

- O administrador deve considerar se é mais compensativo comprar pronto ou desenvolver o próprio sistema de informações gerenciais;

- Devem ser avaliados quais são os requisitos necessários para implantar um sistema de informações contábeis.

            De acordo com Passos (2010), o sistema de informação na empresa deve se ajustar às suas necessidades. Os gestores necessitam de informações adequadas e adequadas ao seu

               Processo decisório e, para tanto, também devem fornecer dados precisos aos seus contadores. Essa autora, elabora um fluxograma para o processo de retroalimentação e gerenciamento da informação contábil no contexto das empresas.

            Passos (2010) compreende que os dados são as entradas que ocorrem no sistema de informações. Esse sistema de informações é administrado pelo contador gerencial que processa os dados e os converte em informações adequadas para o contexto da empresa. A atuação do administrador acontece em dois pontos principais: antes do sistema de informações, fornecendo dados precisos e de forma rápida. Posteriormente ao sistema utilizando a informações geradas na tomada decisões e estas, irão retroalimentar todo o processo gerando novos dados, fazendo parte, portanto, de um ciclo.

            Padoveze (2010, p. 34) argumenta que para que a informação contábil seja usada no processo de administração, “é necessário que essa informação seja desejável e útil para as pessoas responsáveis pela administração da entidade”. Para os administradores que buscam a excelência empresarial a informação somente pode ser útil se for conseguida no momento adequado.

            Padoveze (2010) ao discutir sobre a contabilidade gerencial, afirma que o estágio atual desse ramo da Contabilidade está voltado principalmente em atividade e sistemas de informações de monitoramento da estratégia. De acordo com este aspecto, são incorporados como funções da contabilidade gerencial as atividades de disponibilização e controle de sistemas de informação visando oferecer uma análise do ambiente empresarial tanto interno quanto externo, identificando as oportunidades e também as ameaças a respeito dos pontos fortes e fracos da empresa.

 

A contabilidade gerencial está relacionada com o fornecimento de informações para os administradores – isto é, aqueles que estão dentro da organização e são responsáveis pela direção e controle de suas operações. A contabilidade gerencial pode ser contrastada com a contabilidade financeira, que é relacionada com o fornecimento de informações para os acionistas, credores e outros que estão fora da organização (PAVONEZE, 2010, p. 38)

 

            Pavoneze (2010) ainda discute que uma organização está estruturada de forma hierárquica e, nesse sentido, a contabilidade gerencial através de seu sistema de informação contábil envolve todos os setores de uma empresa. Isso acontece porque cada nível de administração dentro da empresa utiliza a informação contábil para um determinado fim,

            Agregando essa informação, o setor ou nível terá condições de melhor se ajustar às metas da empresa. Assim o objetivo não é apenas disponibilizar a informação, mas também que esta informação seja trabalhada de forma específica para cada segmento hierárquico da empresa.

 

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar da importância das ferramentas contábeis para o processo gerencial de micro e pequenas empresas, as análises realizadas referentes à pesquisa bibliográfica, demonstram que estas ainda se fazem distantes do cenário administrativo das empresas desse porte.

Ao se descrever sobre os benefícios das informações contábeis para o processo gerencial das empresas, o que se pode dizer é que tais informações proporcionam ao empreendedor ter acesso à situação real da empresa, verificar que tipos de movimentações financeiras tem dado maior retorno e quais aquelas que precisam ser evitadas devido a possibilidades de prejuízo. Desta maneira, a importância das informações contábeis reside no fato de que proporcionam um eixo direcionador para a tomada de decisão dentro da empresa.

            Como consequência, essa falta de informação dos pequenos e microempreendedores possibilita uma desvantagem destes no mercado e, dentre outros fatores é responsável pela não sobrevivência destas empresas em um mercado cada vez mais competitivo, sendo estas uma das principais consequências do afastamento entre a função gerencial da contabilidade e os empreendedores. Cabe ressaltar que a maior utilização das ferramentas contábeis na gestão dessas empresas é uma forma de torná-las mais fortes e competitivas no mercado.

            Sobre o problema inicialmente levantado, pode-se dizer que a pesquisa evidenciou respostas sendo que a dificuldade encontrada pelos contadores em auxiliar os pequenos empreendedores na tomada de decisão refere-se tanto a questões próprias dos empreendedores, como desorganização e falta de conhecimento. Como também ausência de profissionais na área de Ciências Contábeis que prestem um serviço de apoio gerencial.

            Destaca-se como sugestão para os estudos futuros que sejam pesquisadas as concepções de contabilidade gerencial segundo a perspectiva dos pequenos e microempreendedores apontando também suas dificuldades e necessidades, a fim de buscar uma ampliação ainda maior sobre esse assunto com base na pesquisa de campo.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

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FEDATO, Geovana Alves de Lima; GOULART, Claiton Pazzini; OLIVEIRA, Lyss Paula de. Contabilidade para pequenas empresas: A Utilização da Contabilidade como Instrumento de Auxílio às Micro e Pequenas Empresas. 2012. Disponível em: <http://www.contabilidadeamazonia.com.br/artigos/artigo_13contabilidade_para_pequenas_empresas.pdf>. Acesso em: 27 mar. 2018.

 

 

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MARION, José Carlos. Análise das Demonstrações Contábeis: Contabilidade Empresarial. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2005.

 

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NEVES, Silvério das. Contabilidade Avançada e Análise das Demonstrações Financeiras. 15 ed. Revisada e atualizada. São Paulo: Frase Editora, 2007.

 

PADOVEZE, Clóvis Luiz; BENEDICTO, Gideon Carvalho. Análise das demonstrações financeiras. 2 ed. Revista e ampliada. São Paulo: Thomson Learning, 2007.

 

PAIXÃO, E. P. A utilização da contabilidade na gestão empresarial e sua importância como ferramenta de decisão. 2010. Disponível em: http://www.avm.edu.br/docpdf/ monografias publicadas/t206115.pdf. Acesso em 17 abr. 2018.

 

PASSOS, Q. C. A importância da contabilidade no processo de tomada de decisão nas empresas. 2014. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/ 10183/25741/000751647.pdf. Acesso em 15 abr. 2018

 

PEREIRA, M. F.; GRAPEGGIA, M; EMMENDOERFER; M. L. TRÊS, D. L. Fatores de inovação para a sobrevivência das micro e pequenas empresas no Brasil. RAI - Revista de Administração e Inovação, São Paulo, v. 6, n. 1, p. 50-65, 2009. Disponível em < https://www.revistas.usp.br/rai/article/view/79129/83201). Acesso em: 20 de abril de 2018.

 

SÁ, Antonio Lopes. Moderna Analise de Balanços ao Alcance de todos. 2ª edição – Revista e Atualizada. Curitiba: Editora Juruá. 2008.

 

 

 

Publicado
2019-05-25
Como Citar
BRANDÃO, Cláudio de Oliveira; OLIVEIRA, Michelle Batista de; GONÇALVES, Antonia Maria Martins. A dificuldade de utilização das demonstrações contábeis na gestão de micro e pequenas empresas. REVISTA FAIPE, [S.l.], v. 9, n. 1, p. p. 18-30, may 2019. ISSN 2179-9660. Disponível em: <http://revistafaipe.com.br/index.php/RFAIPE/article/view/129>. Acesso em: 25 aug. 2019.
Seção
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DE EMPRESAS, CIÊNCIAS CONTÁBEIS E TURISMO

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